Olá! Seja bem-vindo(a) ao blog INSANOS CAMINHOS. Aqui tu vais poder ler e conhecer os textos, poesias e versos livres que escrevo de 1998 até os dias de hoje. Desde já agradeço a tua visita e fiques a vontade, pois estes versos fazem parte de minha literatura, com isso não pertencem a mim e sim aos leitores. Grato!! Fábio Zündler.

O lixo


Prometeram mudança
Entrei na contradança.

Varreram a casa
Bateram os tapetes
Sentimento defasa
Pulso e estiletes.
Fizeram uma limpeza
Foi fora o descartável
Limparam com sutileza
Foi Inevitável.
A dor irrompeu,
O lixo era eu.


Fábio Zü


Ano novo de velhas possibilidades


Eternidade nunca me pertenceu.
Quem sabe em outras vidas.

Te falo palavras que não queres ouvir,
Sinto sentimentos que eu não quero sentir.

Depois de tantos braços entrelaçados,
Almas despedaçadas.

Um ano novo de velhas possibilidades.
Com pessoas que nos amam,
Felicidade.

A qualquer custo, será que vale a liberdade?

1° Haicai


Palavra solta
jamais volta com vento,
perdão é remendo.

Cobaia


Eu caminhei por entre espinhos,
Andei suave pela beira da praia.
Lembro que foi no último setembro
que senti a chuva perseguindo em meus caminhos.

Usado de experiência
Cai na tocaia.

Má influência,
Não sou da sua laia

O sangue já não mais flui,
Cobaia,
De janeiro a dezembro.
Na vida fui.
Cobaia.

Fábio Zü

Partir


Se for para usar a palavra partir que seja para partilhar!

Dar ouvidos


Se preferes dar ouvidos aos quatro ventos.
Não esqueça que tens apenas dois!

Fábio Zü

Pelotas do João ou do Francisco


As mãos do João,
ou as do Francisco.
Pouco importa.
Uma faz história
a outra poetiza.


As lendas do Neto
O teatro do Costa.
Um Lobo romântico que trás
magoas no escuro arrebol.
Um Simões que da fidalguia
trás sua marca regional.


Um pouco sustenido
o outro tanto Bemol.
Sinfonias diferentes,
com a mesma nota musical.


Diferentes rotas,
todavia,
navegam juntos dentro
da mesma Pelota's.

Fábio Zü

Conjugar


Como disse Caetano: 
"Azul que é pura memória de algum lugar".

Prefiro olhos de mel,
mesmo que,
ora fortes como fel,
ora suaves como um vel.

Como digo sem engano:
Castanho é o verbo que tento conjugar.

Ao conjugar encontro meu lugar
envolto nos teus braços. 
Braços que me acalmam, 
me acalmam, 
acalmaMaria.



Mais um dia


Relógio avisou, 
Se não levantar,
Vai se atrasar.

Saiu cambaleando.

Levou seu corpo para trabalhar.
Na cabeça um torpor,
Ecoava a humilhação, 
Que sentira e escutara 
Exalar da boca do seu grande amor,

Devaneando.

Aos olhos do vizinho saiu satisfeito, 
erguido.
Ninguém percebia o que carregava no peito, 
contido.

Passou a vida cerceando palavras,
Sem perceber foi se extinguindo,
Deveras, 
Achou que estava construindo,
Porém aos poucos foi ruindo.

F.Zündler
10/2016

Palavras não mais ditas


Ao limpar a casa achei algumas palavras perdidas,
Vocábulos e termos que não mais usava,
não mais pronunciava.

Que triste, inclusive tinham verbos.
Não mais eram alimentadas,
Fracas e sem sentidos, ali jogadas.

Locuções, expressões,
Formavam frases, sentenças!

Desculpe,
aproveitei a primavera e
Joguei-as ao vento!

F.Zündler
10/2016

Trova para dois amigos


Venho nesta manhã cinzenta. 
Fiquei palavras a procurar, fiquei nessa a cismar.
Esses verso não precisavam nem rimar.
Venho para serviço nessa manhã derradeira.
Por que tenho certeza os vou encontrar.
Para mim gente boa não dá em parreira,
lá na labuta algumas amizades são verdadeira.

Cito algumas, 
por que outras não valem
coisa nenhuma.

Um anda de bengala com a perna num repucho.
Esse é cabra macho é lutador, ele faz trova de gaúcho.
Se eu tiver uma duvida pergunto sem sarandeio,
ele responde logo sem rodeio.

Tem um outro que é pensador é muito hilário.
Procuro sinônimos para definí-lo e não encontro, 
procuro no dicionário inteiro.
Mas sei, que o que mais gosta é de pensar no salário.
...
Ora, quem não gosta?

Também puderá, ele faz projeto, listas e a até proposta.
Nada mais justo no final mes, poder comprar o que gosta.
Junta dinheiro, não gasta um tustão,
esse é meu companheiro no chimarrão.

Poderia dizer que são meus colegas,
contudo estão sempre ali juntos comigo. 
Estamos juntos, ouvindo choramingo.

Por isso posso tomar a liberdade de chamá-los de AMIGOS.

Fábio Zündler
Dez 2015

Poesia classificada no Prêmio Poetize 2015 da Editora Vivara.

A poesia "Um dia estranho" foi classificada entre 2.420 poesias, juntamente com mais 249 poesias. Em breve será lançada em um livro coletânea do concurso, editada pela Editora Vivara.



Um dia estranho

Hoje logo cedo ao entrar no banho
junto com a água caiu uma percepção,
que se tratara de um dia estranho,
ainda não sei porque de tal concepção.

Quem sabe no romper da melancolía,
no transcorrer das horas, venha ter uma epifania.
Talvez nas palavras de uma jovem senhora,
que louca, joga besteiras da boca para fora.

É sempre assim, que picardia,
ainda acabo com essa mania,
de deixar a água que escorre sobre mim
misturar-se com os pensamentos e mudar meu dia.


Fábio Zündler

Poema penado



Hoje abri meu livro de poesias,
notei que aquele velho poema
não mais existia.

Até ontem estava grafado na página 3!
Eram versos moribundos
mas nunca deixei de lê-los.

Era como se fosse aquele ancião,
que todos respeitam por seus conhecimentos.
Versos antigos,
porem nunca esquecidos.

Preocupa é que tais versos
tenham partido se achando ultrapassados.
Fiz esses versos em uma noite fria de inspiração,
reconheço que eram mal-acabados.

Foi sem se despedir...
Não deixou uma estrofe se quer,
sem rastros de recitação.

Será que existe céu de poesias
ou virou um poema penado?

F. Zündler
3.11.2015

Bom p'ra morrer!



Julho, é um bom mês para morrer!
Pensando bem sempre que repouso,
meus pés endurecem de tão frios.
Melhor esperar aquecer.

Janeiro sim, é um bom mês para morrer!

Refletindo bem, é pior.
Sempre que deito começo a suar.

Melhor esperar,

melhor esquecer.

F.Zundler
6/15

imprevisibilidade a anunciação


"A imprevisibilidade da morte 
é o que mais me assusta na vida,
ainda assim prefiro-a  
do que tê-la anunciada."

F. Zündler 4/2015

Amargo



















Um novo alvorecer surge na cidade,
que outrora brotava umidade.
Mofadas paredes descascadas,
imaginava-me singrar em cascatas.

A tarde compassível,
nem sempre compreensível,
encardia o horizonte.
Enquanto sorvia o amargo,
procurava algum sentido
no que parecia perdido,
porem não comedido.

Meu último mate foi - enternecido,
como poesia incompleta, sem Rimas.
Meu último mate foi - encarecido com lágRimas.

Fábio
03/2015

inquietude


É puro lamento
o habitué dos pensamentos.
A saudade já é pertencimento.
A alma permeia pela inquietude.
Regozijo-me em tudo que é rude,
enquanto habito tudo aquilo que aludo.

Fábio Zundler
02/2015

Portos e Passagens


As pessoas podem ser como navíos,
eu me transmorfo em porto,
ora alegre, ora triste,
assim prefiro.

Atraco barcos que estão de passagem,
e ao seguir seus destinos
querendo ou não,
deixam presentes que ficarão passados,
mas nem por isso deixarão de serem lembrados.

Eu os guardo,
Eu os guardo para meus momentos nostálgicos.

12/2014 


Um dia estranho


Hoje logo cedo ao entrar no banho
junto com a água caiu uma percepção,
que se tratara de um dia estranho,
ainda não sei porque de tal concepção.

Quem sabe no romper da melancolía,
no transcorrer das horas, venha ter uma epifania.
Talvez nas palavras de uma jovem senhora,
que louca, joga besteiras da boca para fora.

É sempre assim, que picardia,
ainda acabo com essa mania,
de deixar a água que escorre sobre mim
misturar-se com os pensamentos e mudar meu dia.

Ao amigo Alesandro pelo desafío dado.
Fábio Zündler
4/12/2014 10:36